Octávio Augusto 64 anos, autodidata. Natural de Alenquer, vive em Vila Franca de Xira. Começou a pin

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Octávio Augusto 64 anos, autodidata. Natural de Alenquer, vive em Vila Franca de Xira. Começou a pintar em 2019. Tem diversas obras em colecções particulares em Portugal e na Colômbia. Em Setembro de 2022, a convite do CPPC, participou na Exposição colectiva itenerante “por um ambiente de paz”, na Universidade de Faro e em vários concelhos do Algarve. Em Outubro de 2023 organizou a sua primeira exposição individual na Academia Almadense. A segunda exposição ocorreu em Janeiro de 2024 na Sociedade Euterpe Alhandrense. A convite do CPPC está a participar na exposição colectiva “Pela Paz, por Abril” que vai percorrer diversos concelhos do Algarve.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Parabéns com atraso



Parabéns, com atraso…
(Um texto um pouco longo, não recomendável para quem gosta apenas de ler títulos e de ver bonecos…)

Ontem fizeste 98 anos. Sabes como é, nem sempre o tempo permite que te dispense a atenção que tu mereces. Estás/estamos de parabéns!
Parece que foi ontem. Como o tempo passa!
Sim, recordo-me perfeitamente da primeira vez que nos cruzámos. Foi nos primeiros dias de 1974 na cidade da Beira, Moçambique. Encontrei-me contigo através de um amigo comum, o Avante!
É verdade. Ia eu a passar pelo centro da cidade e deparo-me com a montra de uma grande livraria literalmente forrada com jornais. Fui ver até porque não era habitual uma montra daquelas. Os Comunistas no governo provisório
Era uma grande confusão. Havia uma fila que se estendia até à rua. Fui espreitar. Acabei por ir para a fila também. Pois se toda a gente queria comprar o tal jornal que forrava a montra era, por certo alguma coisa importante quer que aquele jornal tinha. E não era certamente sobre o Sporting. Sim o Sporting nesse ano passeou-se pelo campeonato com um tal de Yazalde marcar golos á pazada. Mas isso já a Bola tinha noticiado uns dias antes.
Chegou a minha vez e comprei dois exemplares. A mania de guardar coisas acompanha-me desde muito novo e a culpa desse meu defeito devo-a por inteiro ao meu avô, o Zé Tanganho, que guardava sempre tudo e, sempre que possível, mais do que um exemplar.
Cheguei a casa a mostrei o meu troféu, para espanto do meu pai que mais do que uma vez me perguntou se tinha mesmo comprado o jornal na livraria…
Devorei rapidamente tudo o conteúdo do jornal. Percebi então, ao juntar as várias peças que andavam soltas, que tinha havido mesmo uma revolução na metrópole e que havia um partido que se chamava comunista e português!
19 de Junho de 1974. Embarco para Lisboa com a minha mãe e a minha irmã. O meu pai ficou. Não, não fugimos de coisa nenhuma, a viagem já estava marcada há muito.
Encontrei um país a fervilhar. Em Alenquer, no meu bairro, já quase todos os putos da minha idade tinham o seu partido. Uns eram comunistas, outros socialistas.
E eu assumi-me como comunista, por influência do nosso amigo Avante!.
O meu avô encarregou-se de me explicar o que era o Partido Comunista e a razão para ele só ter aparecido agora…
Da intuição misturada com simpatia até às convicções foi um pulinho.
Outubro. Começa o ano lectivo. Venho estudar para Vila Franca na Escola Industrial. Curso Geral de Electricidade. Quem quer ser da UEC venha aqui inscrever-se. Foram vários e eu e outro colega ficámos primeiro a observar atentamente aquela movimentação. Não teremos passado despercebidos ao Zé Barbosa que, quando o movimento acalmou, se dirigiu a nós e perguntou se não queríamos aderir também. Aderimos. A adesão do meu colega durou pouco tempo. Acho até que ele nunca te chegou a conhecer. Olha, eu ainda aqui estou…

E à medida que te vou conhecendo melhor, cada vez mais estou contente comigo e contigo, claro! Nunca me desiludiste e amigos destes não se encontram todos os dias!
Fico feliz por saber que muitos outros pensam como eu. E que as festas do teu aniversário são mais que muitas. E não perdes pela demora. Daqui por dois anos, no teu centenário vai haver festa rija!
Quanto ao nosso amigo comum, vejo-o todas as semanas, á quinta-feira… Fez anos em Fevereiro e continua tal como o conheci. Conta-me coisas de que mais ninguém fala.
Despeço-me com um forte abraço e com votos de que continues a ser como sempre foste: Um grande Partido!
OctavioPontoAugusto
Março de 2019

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