Octávio Augusto 64 anos, autodidata. Natural de Alenquer, vive em Vila Franca de Xira. Começou a pin

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Octávio Augusto 64 anos, autodidata. Natural de Alenquer, vive em Vila Franca de Xira. Começou a pintar em 2019. Tem diversas obras em colecções particulares em Portugal e na Colômbia. Em Setembro de 2022, a convite do CPPC, participou na Exposição colectiva itenerante “por um ambiente de paz”, na Universidade de Faro e em vários concelhos do Algarve. Em Outubro de 2023 organizou a sua primeira exposição individual na Academia Almadense. A segunda exposição ocorreu em Janeiro de 2024 na Sociedade Euterpe Alhandrense. A convite do CPPC está a participar na exposição colectiva “Pela Paz, por Abril” que vai percorrer diversos concelhos do Algarve.

terça-feira, 18 de maio de 2021

11 de março de 1975 - Almondegas com puré de batata

 


11 de março de 1975

Almondegas com puré de batata

Como era habitual, estava a almoçar na cantina da Escola Industrial e Comercial de Vila Franca de Xira, na companhia do Raleira, um camarada mais velho que, como eu, integrava a célula da UEC daquela escola.

Almondegas com puré de batata era dos meus pratos preferidos na cantina… tudo a correr normalmente ate que entra pela cantina dentro um outro camarada (Lilaia?)  que sobe para cima de uma cadeira e grita bem alto: “estão a bombardear o RALIS… está a haver um golpe de estado!... camaradas da UEC todos para a auto estrada!...

Num instante, um enorme alvoroço, grande parte dos colegas saíram porta fora. A “educadora da classe operária” uma rapariga bem forte que era do Carregado e que era a “grande líder” do MRPP na escola, não perde tempo e retira o emblema da lapela e desaparece… Seguem-se as funcionárias… Eu levanto-me para seguir a indicação do camarada. O Raleira diz-me que era melhor acabarmos de comer e depois então irmos para a barricada. Foi o que fizemos.

Antes, fiz um desvio em direcção á tasca onde o meu avô almoçava para o avisar que estava tudo bem. Entrei na tasca (que ficava perto da estação) e disse ao meu avô que ia para a barricada… que estava a haver um golpe de estado… ficaram todos a olhar para mim com ar de espanto. Não tinham dado por nada ainda.

Chegámos á auto estrada, em frente ao antigo matadouro, e lá estavam centenas de pessoas, algumas viaturas ligeiras e o carro do lixo da Câmara Municipal. Ninguém passava! (mais tarde fui confrontado como facto de ter demorado tanto tempo a vir. Desculpei-me com meia verdade… que tinha ido avisar o meu avô. Não tive coragem de dizer que tinha ficado a acabar de almoçar…)

Ao final da tarde eu e outros camaradas percebemos que não havia autocarros para regressarmos a casa. Resolvemos ir a pé. Os primeiros ficaram na Castanheira, outros nas Quintas e no Carregado. Daí para a frente éramos só dois. Cheguei a Alenquer quase de noite. O meu avô chegou primeiro. Foram mais de 13 quilómetros a pé. Estava a começar a jantar quando começo a ouvir um carro de som. Era a frente de uma enorme manifestação que percorreu as ruas de Alenquer, de apoio ao MFA. Lá fomos, eu e os meus avós.

Não passou muito tempo para que surgisse, ainda com a manifestação a decorrer, uma edição especial do Avante. O golpe fascista de Spínola tinha sido derrotado. O processo revolucionário ganhava um novo impulso.

Vem isto a propósito do desaparecimento do Dinis de Almeida, militar de Abril e figura destacada na derrota do golpe de 11 de março de 1975. Um Homem com H grande!