Octávio Augusto 64 anos, autodidata. Natural de Alenquer, vive em Vila Franca de Xira. Começou a pin

A minha foto
Octávio Augusto 64 anos, autodidata. Natural de Alenquer, vive em Vila Franca de Xira. Começou a pintar em 2019. Tem diversas obras em colecções particulares em Portugal e na Colômbia. Em Setembro de 2022, a convite do CPPC, participou na Exposição colectiva itenerante “por um ambiente de paz”, na Universidade de Faro e em vários concelhos do Algarve. Em Outubro de 2023 organizou a sua primeira exposição individual na Academia Almadense. A segunda exposição ocorreu em Janeiro de 2024 na Sociedade Euterpe Alhandrense. A convite do CPPC está a participar na exposição colectiva “Pela Paz, por Abril” que vai percorrer diversos concelhos do Algarve.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020


                                                                Acrílico sobre tela 50x70


                                                           Acrílico sobre tela 50x50


 Acrílico sobre tela 50x50

sábado, 2 de maio de 2020

Vitrais (2)


Acrílico sobre tela 50x70


Acrílico sobre tela 40x50


Acrílico sobre tela 30x40


Acrílico sobre tela 24x30


Acrílico sobre tela 18x24

Abril


Acrílico sobre tela 50x70

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Aquele 1º de Maio




Não sei já vos disse, mas abandonei os estudos (por opção minha, que fique claro. Aqui há uns tempos um “amigo” do face indignou-se com o facto de no meu perfil aparecer “universidade da vida” e, sobre isso dissertou publicamente sobre alegados complexos de quem se sentia inferiorizado pelo facto de não ter canudo… o que manifestamente não foi, nem era o meu caso…) no final do ano lectivo 76/77.
Fui trabalhar como Electricista numa pequena empresa em Alenquer.
O patrão, regressado de África, era um bronco, um sem maneiras, um espertalhaço que se gabava das alarvidades que tinha feito aos pretos e, claro está, era um anti-comunista primário. Ainda hoje estou para saber qual a razão por que ele me aceitou a trabalhar com ele. Se por distracção ou, como paga de favores que devia ao meu avô.
Ao fim de pouco tempo ele “descobriu” que eu era comunista. Todos os motivos eram aproveitados para provocações de toda a espécie. Eu geralmente não respondia, o que o deixava visivelmente incomodado. Havia até alguns momentos em o Sr. Manel se socorria de um seu “colaborador” (aqui o termo está bem empregue. Ou seja, quando um operário é assumidamente subserviente, gosta de ser espezinhado e aceita ser explorado até ao tutano e acha que é assim que deve ser, que a vida é assim, o que se há-de fazer…é de facto um colaborador. E não estranhem porque este não era nem é um caso isolado. Sempre houve e continua a haver quem goste de ser escravo. Opções.) para ser ele a fazer a provocação baixinha… A Rússia… a Rússia… O Cunhal…
Bom, vamos ao que interessa. O tal colaborador foi incumbido de me sondar o que ia eu fazer no 1º de Maio. Não trabalhávamos aos domingos e feriados. Como o 1º de Maio era feriado… Eu lá disse ao meu “colega” que ia a Lisboa participar na manifestação.
Passados uns dias sou abordado pelo meu patrão que me queria pedir um grande favor. E qual era esse favor perguntam vocês. Um fiscal da EDP tinha pedido ao Sr. Manel para lhe arranjar uns pintos para ele criar na sua propriedade (os fiscais da EDP que faziam a vistoria das instalações, para além de mamarem grandes almoçaradas à conta, pediam tudo e mais alguma coisa para além de umas notitas, obviamente. Como contrapartida fechavam os olhos a todo o tipo de falcatruas nas instalações eléctricas…). Este queria pintos!
O Sr. Manel naquele 1º de Maio tinha um assunto importante para resolver e pede-me para ir nesse dia de manhã a Coina levar os pintos. Que me pagava o dia e os transportes, claro.
À hora marcada, naquela manhã de Maio, lá estava eu à espera dos pintos… que chegaram com bastante atraso. Não sei se estão a ver, 1978… Alenquer/Coina num feriado! E com duas caixas de pintos na mão… Chegado à margem sul, apanhei um táxi para Coina que me levou directo à porta do Fiscal. Pintos entregues, volto no mesmo táxi, apanho o barco e estou em Lisboa. Eram mais ou menos 14 horas. Junto-me aos jovens de Alenquer e lá fomos comemorar o Dia do Trabalhador!
No outro dia o Sr. Manel perguntou como tinha corrido. Contei-lhe do atraso com a chegada dos pintos e ele sorria… da dificuldade em chegar à outra margem e o homem não resistiu e perguntou: Então chegaste já tarde a Lisboa! Nem por isso Sr. Manel. Fui e vim de táxi. Foi rápido. Ainda cheguei a tempo de ir ao 1º de Maio… O sorriso desfez-se. Pronto, obrigado, quanto te devo? Lá fizemos contas e assunto arrumado.
Mais tarde um outro colega que era sobrinho do patrão e que era igual ao tio diga-se, desabafa comigo: Ó pá! fod… o meu tio bem fod…!Então ele arranjou uma maneira de te fo… o 1º de Maio e tu foste de táxi!

Amanhã não vou de táxi, mas lá estarei!

domingo, 26 de abril de 2020

Comemorar Abril sempre e em todas as circunstâncias!




Hoje quando vim à varanda comemorar Abril, lembrei-me dos meus avós, Rosa Ramalheira e José Rodrigues Caseiro, José Tanganho, alcunha com que era conhecido por toda a gente.
Antes de Abril, o meu avô no dia 5 de Outubro, pela manhã, içava uma bandeira nacional num mastro colocado na sua casa, abria a janela e colocava o gira discos no máximo para que na rua se ouvisse o hino nacional. Foi assim ano após ano.
Depois de Abril, ao 5 de Outubro juntou-se o 25 de Abril. Cravo na lapela e, bem cedo também, a mesma bandeira nacional e ao hino juntou-se a Grândola Vila Morena e o hino do MFA. Foi sempre assim enquanto eles viveram.
Hoje, ao comemorar Abril à varanda , lembrei-me deles…


terça-feira, 21 de abril de 2020

Acorda antes que seja tarde!




Tento colocar-me no lugar dos milhões que, confinados em casa, absorvem paletes e mais paletes de alarmismo, confusão, mortos e mais mortos… E como se não bastasse a dose servida 24 sobre 24 horas nas Tvs, ainda vêm beber a água contaminada das redes sociais.

Por isso, separo aqueles que nunca quiseram comemorar Abril e tudo fazem para que ele desapareça das nossas vidas, dos outros que, distraídos (alguns, e são muitos, andam sempre distraídos…) alinham no coro de que a Assembleia e os funerais e etc. e tal…
O clima de medo, pânico e resignação que que nos procuram incutir, tráz ao de cima a irracionalidade e um défice de discernimento. Enquanto isso acontece, os senhores do dinheiro vão esfregando as mãos de contentes.

Para o capital bom mesmo seria que ao confinamento social se viesse a sobrepor o confinamento mental, ou seja, que mesmo quando a rapaziada voltar ao ritmo de trabalho normal, exploradinhos até ao tutano, e que em lista de espera estejam centenas de milhares de desempregados, isso acontecesse sem resistência e sem luta…

Tanto barulho por causa do 25 de Abril e do 1º de Maio mas, quando vierem aí os jogos da bola, estamos cá pra ver… E não deixa de ser curioso que ajuntamentos como este que a foto ilustra (Rodoviária de Lisboa ontem ao final da tarde) se sucedam um pouco por todo o lado e não se veja idêntica indignação!

A imensa maioria dos que aqui e noutros locais opinam sobre Abril e Maio não são fascistas! Estão é a beber a água inquinada do capital e dos seus piões de brega!
Vamos lá a acordar rapaziada, antes que seja tarde!

Tonalidades


Acrílico sobre Tela 50x50

Com um poema de Nelinha Cameira



Tonalidades
de Verão
tonalidades
de Outono
variam de intensidade
conforme
mudamos de sono
vagueio
plas margens
do tempo
como quem
anda perdido
entre o sonho
e o que o contém
entre o ontem
e o que vem
preso
nas bordas do rio
entre o calor
e o frio
esperando a sombra
de ninguém
tonalidades de mim
esvaziando
a maré
sem ir em frente
nem fazer
marcha à ré

Nelinha Cameira

sábado, 18 de abril de 2020

Comemorar Abril decorando a janela…


Comemorar Abril decorando a janela…
Não tem nada que saber.
Primeiro escolhe-se o cravo.
De seguida desenha-se em papel autocolante (não havendo papel autocolante podes usar outro e depois cobres com película transparente que há à venda nos supermercados, na zona do material escolar e serve para forrar os livros…
Recortas com uma tesoura. Também podes usar Xacto…
Pintas o que tiveres de pintar. No caso como não havia verde, usei preto e pintei de verde. Ideia genial esta!
E depois penduras no estore ou no vidro da janela…
Não custa nada e resulta!



sexta-feira, 17 de abril de 2020

Vitral



Vitral



Acrílico sobre tela 50x70



VITRAL
Bem pensado
a vida
fez de mim
o seu vitral
deu-me
centelhas de cores
amantes e amores
numa decomposição
de luz
absolutamente
espectral
resultante
da dispersão
dos raios de sol
do teu olhar
no meu corpo nu
feito luar
e depois
do cansaço
nascido
da cumplicidade
de amar
a vida
filtrou em mim
a claridade
translúcida e calma
deixando-me
entrar a luz
pela janela
da alma

Nelinha Cameira

sábado, 11 de abril de 2020

À esquina da indecisão



Acrílico sobre tela 40x60

Poema da autoria de Alice Caetano

À esquina da indecisão


O tronco da árvore genealógica parou na esquina do Tempo, indeciso.
Todos os caminhos a seguir se lhe afiguravam iguais e não explicativos.
A sinalização ausente no espaço e nas veias, impediam-no de avançar.
Era um filme sem esperança.
Era um sonho sem mais assunto.
Tolhido de cima a baixo, parado no momento, esperava por uma resposta automática de confirmação que lhe dissesse: segue por ali.
Esperava, quieto, muito quieto. Quase a ferir o silêncio das medonhas esperas.

Alice Caetano


domingo, 5 de abril de 2020

TRANSMUTAÇÃO


Acrílico sobre tela 50x50

Acompanhada de um belo poema da autoria de Nelinha Cameira
https://www.facebook.com/nelinha.cameira



TRANSMUTAÇÃO

Transmuto
em cores
a minha escuridão
apago
pouco a pouco
o som
da solidão
que me grita
em tons de azul
e pinceladas
de verde
e porque acredito
que nenhuma
solidão
é para sempre
orvalho a vida
com gotas de branco
desenhadas
no meu sorriso
franco
e salpicos de vermelho
reflectidos
no meu espelho

Nelinha Cameira


Acrílico e aguarela sobre papel A4