Octávio Augusto 64 anos, autodidata. Natural de Alenquer, vive em Vila Franca de Xira. Começou a pin

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Octávio Augusto 64 anos, autodidata. Natural de Alenquer, vive em Vila Franca de Xira. Começou a pintar em 2019. Tem diversas obras em colecções particulares em Portugal e na Colômbia. Em Setembro de 2022, a convite do CPPC, participou na Exposição colectiva itenerante “por um ambiente de paz”, na Universidade de Faro e em vários concelhos do Algarve. Em Outubro de 2023 organizou a sua primeira exposição individual na Academia Almadense. A segunda exposição ocorreu em Janeiro de 2024 na Sociedade Euterpe Alhandrense. A convite do CPPC está a participar na exposição colectiva “Pela Paz, por Abril” que vai percorrer diversos concelhos do Algarve.

domingo, 26 de abril de 2020

Comemorar Abril sempre e em todas as circunstâncias!




Hoje quando vim à varanda comemorar Abril, lembrei-me dos meus avós, Rosa Ramalheira e José Rodrigues Caseiro, José Tanganho, alcunha com que era conhecido por toda a gente.
Antes de Abril, o meu avô no dia 5 de Outubro, pela manhã, içava uma bandeira nacional num mastro colocado na sua casa, abria a janela e colocava o gira discos no máximo para que na rua se ouvisse o hino nacional. Foi assim ano após ano.
Depois de Abril, ao 5 de Outubro juntou-se o 25 de Abril. Cravo na lapela e, bem cedo também, a mesma bandeira nacional e ao hino juntou-se a Grândola Vila Morena e o hino do MFA. Foi sempre assim enquanto eles viveram.
Hoje, ao comemorar Abril à varanda , lembrei-me deles…


terça-feira, 21 de abril de 2020

Acorda antes que seja tarde!




Tento colocar-me no lugar dos milhões que, confinados em casa, absorvem paletes e mais paletes de alarmismo, confusão, mortos e mais mortos… E como se não bastasse a dose servida 24 sobre 24 horas nas Tvs, ainda vêm beber a água contaminada das redes sociais.

Por isso, separo aqueles que nunca quiseram comemorar Abril e tudo fazem para que ele desapareça das nossas vidas, dos outros que, distraídos (alguns, e são muitos, andam sempre distraídos…) alinham no coro de que a Assembleia e os funerais e etc. e tal…
O clima de medo, pânico e resignação que que nos procuram incutir, tráz ao de cima a irracionalidade e um défice de discernimento. Enquanto isso acontece, os senhores do dinheiro vão esfregando as mãos de contentes.

Para o capital bom mesmo seria que ao confinamento social se viesse a sobrepor o confinamento mental, ou seja, que mesmo quando a rapaziada voltar ao ritmo de trabalho normal, exploradinhos até ao tutano, e que em lista de espera estejam centenas de milhares de desempregados, isso acontecesse sem resistência e sem luta…

Tanto barulho por causa do 25 de Abril e do 1º de Maio mas, quando vierem aí os jogos da bola, estamos cá pra ver… E não deixa de ser curioso que ajuntamentos como este que a foto ilustra (Rodoviária de Lisboa ontem ao final da tarde) se sucedam um pouco por todo o lado e não se veja idêntica indignação!

A imensa maioria dos que aqui e noutros locais opinam sobre Abril e Maio não são fascistas! Estão é a beber a água inquinada do capital e dos seus piões de brega!
Vamos lá a acordar rapaziada, antes que seja tarde!

Tonalidades


Acrílico sobre Tela 50x50

Com um poema de Nelinha Cameira



Tonalidades
de Verão
tonalidades
de Outono
variam de intensidade
conforme
mudamos de sono
vagueio
plas margens
do tempo
como quem
anda perdido
entre o sonho
e o que o contém
entre o ontem
e o que vem
preso
nas bordas do rio
entre o calor
e o frio
esperando a sombra
de ninguém
tonalidades de mim
esvaziando
a maré
sem ir em frente
nem fazer
marcha à ré

Nelinha Cameira

sábado, 18 de abril de 2020

Comemorar Abril decorando a janela…


Comemorar Abril decorando a janela…
Não tem nada que saber.
Primeiro escolhe-se o cravo.
De seguida desenha-se em papel autocolante (não havendo papel autocolante podes usar outro e depois cobres com película transparente que há à venda nos supermercados, na zona do material escolar e serve para forrar os livros…
Recortas com uma tesoura. Também podes usar Xacto…
Pintas o que tiveres de pintar. No caso como não havia verde, usei preto e pintei de verde. Ideia genial esta!
E depois penduras no estore ou no vidro da janela…
Não custa nada e resulta!



sexta-feira, 17 de abril de 2020

Vitral



Vitral



Acrílico sobre tela 50x70



VITRAL
Bem pensado
a vida
fez de mim
o seu vitral
deu-me
centelhas de cores
amantes e amores
numa decomposição
de luz
absolutamente
espectral
resultante
da dispersão
dos raios de sol
do teu olhar
no meu corpo nu
feito luar
e depois
do cansaço
nascido
da cumplicidade
de amar
a vida
filtrou em mim
a claridade
translúcida e calma
deixando-me
entrar a luz
pela janela
da alma

Nelinha Cameira

sábado, 11 de abril de 2020

À esquina da indecisão



Acrílico sobre tela 40x60

Poema da autoria de Alice Caetano

À esquina da indecisão


O tronco da árvore genealógica parou na esquina do Tempo, indeciso.
Todos os caminhos a seguir se lhe afiguravam iguais e não explicativos.
A sinalização ausente no espaço e nas veias, impediam-no de avançar.
Era um filme sem esperança.
Era um sonho sem mais assunto.
Tolhido de cima a baixo, parado no momento, esperava por uma resposta automática de confirmação que lhe dissesse: segue por ali.
Esperava, quieto, muito quieto. Quase a ferir o silêncio das medonhas esperas.

Alice Caetano


domingo, 5 de abril de 2020

TRANSMUTAÇÃO


Acrílico sobre tela 50x50

Acompanhada de um belo poema da autoria de Nelinha Cameira
https://www.facebook.com/nelinha.cameira



TRANSMUTAÇÃO

Transmuto
em cores
a minha escuridão
apago
pouco a pouco
o som
da solidão
que me grita
em tons de azul
e pinceladas
de verde
e porque acredito
que nenhuma
solidão
é para sempre
orvalho a vida
com gotas de branco
desenhadas
no meu sorriso
franco
e salpicos de vermelho
reflectidos
no meu espelho

Nelinha Cameira


Acrílico e aguarela sobre papel A4

quinta-feira, 2 de abril de 2020

MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA


Acrílico sobre tela 30x50

MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA

Nasce
um corpo de vulcão
com labaredas
de desejo
um fogo no coração
que não se apaga
num beijo
as mãos
que há pouco
brincavam
com a boneca
e o carrinho
anseiam agora
na busca
da experiência
e do carinho
arredondaste
nas formas
desse corpo
de sereia
ansiando
pela estreia
dessa tua nova
aparência
e escreves assim
o teu livro
das memórias
da adolescência

Nelinha Cameira