Octávio Augusto 64 anos, autodidata. Natural de Alenquer, vive em Vila Franca de Xira. Começou a pin
- octaviopontoaugusto
- Octávio Augusto 64 anos, autodidata. Natural de Alenquer, vive em Vila Franca de Xira. Começou a pintar em 2019. Tem diversas obras em colecções particulares em Portugal e na Colômbia. Em Setembro de 2022, a convite do CPPC, participou na Exposição colectiva itenerante “por um ambiente de paz”, na Universidade de Faro e em vários concelhos do Algarve. Em Outubro de 2023 organizou a sua primeira exposição individual na Academia Almadense. A segunda exposição ocorreu em Janeiro de 2024 na Sociedade Euterpe Alhandrense. A convite do CPPC está a participar na exposição colectiva “Pela Paz, por Abril” que vai percorrer diversos concelhos do Algarve.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
sábado, 2 de maio de 2020
Vitrais (2)
Acrílico sobre tela 50x70
Acrílico sobre tela 40x50
Acrílico sobre tela 30x40
Acrílico sobre tela 24x30
Acrílico sobre tela 18x24
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Aquele 1º de Maio
Não sei já vos disse, mas abandonei os estudos (por opção
minha, que fique claro. Aqui há uns tempos um “amigo” do face indignou-se com o
facto de no meu perfil aparecer “universidade da vida” e, sobre isso dissertou
publicamente sobre alegados complexos de quem se sentia inferiorizado pelo
facto de não ter canudo… o que manifestamente não foi, nem era o meu caso…) no
final do ano lectivo 76/77.
Fui trabalhar como Electricista numa pequena empresa em
Alenquer.
O patrão, regressado de África, era um bronco, um sem
maneiras, um espertalhaço que se gabava das alarvidades que tinha feito aos
pretos e, claro está, era um anti-comunista primário. Ainda hoje estou para
saber qual a razão por que ele me aceitou a trabalhar com ele. Se por
distracção ou, como paga de favores que devia ao meu avô.
Ao fim de pouco tempo ele “descobriu” que eu era comunista.
Todos os motivos eram aproveitados para provocações de toda a espécie. Eu
geralmente não respondia, o que o deixava visivelmente incomodado. Havia até
alguns momentos em o Sr. Manel se socorria de um seu “colaborador” (aqui o
termo está bem empregue. Ou seja, quando um operário é assumidamente
subserviente, gosta de ser espezinhado e aceita ser explorado até ao tutano e
acha que é assim que deve ser, que a vida
é assim, o que se há-de fazer…é de facto um colaborador. E não estranhem
porque este não era nem é um caso isolado. Sempre houve e continua a haver quem
goste de ser escravo. Opções.) para ser ele a fazer a provocação baixinha… A Rússia…
a Rússia… O Cunhal…
Bom, vamos ao que interessa. O tal colaborador foi incumbido
de me sondar o que ia eu fazer no 1º de Maio. Não trabalhávamos aos domingos e
feriados. Como o 1º de Maio era feriado… Eu lá disse ao meu “colega” que ia a
Lisboa participar na manifestação.
Passados uns dias sou abordado pelo meu patrão que me queria
pedir um grande favor. E qual era esse favor perguntam vocês. Um fiscal da EDP
tinha pedido ao Sr. Manel para lhe arranjar uns pintos para ele criar na sua
propriedade (os fiscais da EDP que faziam a vistoria das instalações, para além
de mamarem grandes almoçaradas à conta, pediam tudo e mais alguma coisa para além
de umas notitas, obviamente. Como contrapartida fechavam os olhos a todo o tipo
de falcatruas nas instalações eléctricas…). Este queria pintos!
O Sr. Manel naquele 1º de Maio tinha um assunto importante
para resolver e pede-me para ir nesse dia de manhã a Coina levar os pintos. Que
me pagava o dia e os transportes, claro.
À hora marcada, naquela manhã de Maio, lá estava eu à espera
dos pintos… que chegaram com bastante atraso. Não sei se estão a ver, 1978…
Alenquer/Coina num feriado! E com duas caixas de pintos na mão… Chegado à
margem sul, apanhei um táxi para Coina que me levou directo à porta do Fiscal.
Pintos entregues, volto no mesmo táxi, apanho o barco e estou em Lisboa. Eram mais
ou menos 14 horas. Junto-me aos jovens de Alenquer e lá fomos comemorar o Dia
do Trabalhador!
No outro dia o Sr. Manel perguntou como tinha corrido.
Contei-lhe do atraso com a chegada dos pintos e ele sorria… da dificuldade em chegar
à outra margem e o homem não resistiu e perguntou: Então chegaste já tarde a Lisboa! Nem por isso Sr. Manel. Fui e vim de
táxi. Foi rápido. Ainda cheguei a tempo de ir ao 1º de Maio… O sorriso
desfez-se. Pronto, obrigado, quanto te
devo? Lá fizemos contas e assunto arrumado.
Mais tarde um outro colega que era sobrinho do patrão e que
era igual ao tio diga-se, desabafa comigo: Ó
pá! fod… o meu tio bem fod…!Então ele arranjou uma maneira de te fo… o 1º de Maio
e tu foste de táxi!
Amanhã não vou de táxi, mas lá estarei!
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