Octávio Augusto 64 anos, autodidata. Natural de Alenquer, vive em Vila Franca de Xira. Começou a pin

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Octávio Augusto 64 anos, autodidata. Natural de Alenquer, vive em Vila Franca de Xira. Começou a pintar em 2019. Tem diversas obras em colecções particulares em Portugal e na Colômbia. Em Setembro de 2022, a convite do CPPC, participou na Exposição colectiva itenerante “por um ambiente de paz”, na Universidade de Faro e em vários concelhos do Algarve. Em Outubro de 2023 organizou a sua primeira exposição individual na Academia Almadense. A segunda exposição ocorreu em Janeiro de 2024 na Sociedade Euterpe Alhandrense. A convite do CPPC está a participar na exposição colectiva “Pela Paz, por Abril” que vai percorrer diversos concelhos do Algarve.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

A quem serve (ou a quem continua a servir) o MRPP?



A quem serve (ou a quem continua a servir) o MRPP?
Acabado de regressar de Moçambique voltei a integrar a equipa de ténis de mesa do Sporting Clube de Alenquer. Tinha passado um ano, estava tudo igual, colegas de equipa, treinadores… O tema das conversas é que tinha mudado e muito. Agora só se falava de política. Com o meu regresso a Alenquer, depressa me identifiquei com o PCP. Em boa verdade não foi uma escolha ponderada, amadurecida, mas antes uma opção influenciada por muitas e boas razões de natureza familiar e, de entre elas, o facto do meu avô materno ser comunista.
Nos treinos e nas viagens para os jogos, o tema tinha deixado de ser a eterna, e na altura saudável, rivalidade entre sportinguistas e benfiquistas, mas a simpatia partidária de cada um.
Que eu me lembre, comunista era só eu… Um outro colega de equipa estaria perto, mas não se manifestava. O treinador, operário especializado da TAP, era do PS e um colega da equipa, um pouco mais velho que eu, era do MRPP… Mais tarde cruzámo-nos várias vezes em Vila Franca, ele aluno do Liceu e eu da Escola Industrial.
O treinador passava o tempo a desancar no PCP e a tentar convencer-me de que o MRPP é que era… Isso na altura fez-me alguma confusão. Podia tentar demover-me da minha simpatia pelo PCP e aliciar-me para o PS, mas não, optava sempre por me tentar conduzir para o MRPP…
Em Vila Franca, na Escola, eles eram alguns mas muito activos e alegadamente bem preparados politicamente. Davam nas vistas pelo seu activismo e pelo discurso impregnado de citações e frases feitas. Mas tinham um comportamento esquisito… Por exemplo, na minha escola tudo fizeram para impedir que ali se comemorasse a independência de Angola… e no 11 de Março, estávamos nós a almoçar na cantina da escola, entre um camarada da UEC e sobe para cima de uma cadeira e diz: Está a haver um golpe de estado! Vamos todos para a autoestrada para impedir o golpe! Eu e os mues camaradas da UEC fomos… Os do MRPP, tiraram o emblema da lapela e desapareceram…
A minha professora de história, mais tarde presa, ela e o marido pelo COPCON na sede daquele partido em Vila Franca, não gostou nada do meu trabalho sobre a Revolução de Outubro. Na apresentação do trabalho fui fustigado com um interrogatório interminável. No final, aconselhou-me a leitura do livro “A revolução (bolchevique) de Outubro de 1917 na Rússia (Editora Vento de Leste…). Convencida que me dava a volta, encheu-me o saco com acusações ao PCP, o Cunhal isto, o Cunhal aquilo... Uns dias mais tarde trouxe o tal livro para me vender e eu, para ver se ela me largava, comprei! Essa Professora, tal como muitos outros, seguiu as pisadas do Durão Barroso… e regressou á “casa de partida”.
De novo em Alenquer
Coleccionar cromos da bola tinha deixado de ser coisa com interesse. O que estava a dar era colecionar cartazes e autocolantes. Foi por essa razão que eu o meu grupo do PCP do Bairro do Areal (noutra altura falaremos dele…) resolvemos ir à sede do PS. O objectivo era pedir autocolantes e cartazes para a colecção. Acontece que o senhor que lá estava conhecia-me bem entre outras razões, pelo facto de estar ligado à secção de ténis de mesa do Sporting de Alenquer. Primeiro desconfiou das nossas intenções e procurou perceber que nos tinha mandado lá… Depois, já esclarecido sobre a veracidade dos nossos propósitos, lá nos ofereceu algum material para a colecção. Mas a coisa não se ficou por ali. À semelhança do meu treinador, tentou convencer-me que que o PCP não era coisa boa, mas se queria ser comunista, ao menos que fosse do MRPP!
A todos eles estou agradecido por terem contribuído para que a minha simpatia se transformasse em convicção. Se os comunistas eram assim tão maus, porquê que os “maus” não gostavam deles, os combatiam muitas vezes de forma violenta e entretanto, poupavam os “outros comunistas” do MRPP que, afinal seriam os bons?
Porquê que os fascistas atacavam incendiavam e destruíam as sedes do PCP e as do MRPP ficavam intactas?
Porquê que os militantes do PCP eram perseguidos e os do MRPP eram poupados e acarinhados?
Do papel deste grupelho no processo revolucionário muito se sabe hoje. O percurso de muitos deles tornou ainda mais evidente a sua natureza e objectivos.
Hoje o MRPP não existe. Não existe mas aparece no boletim de voto! E desta vez em primeiro!
A sua missão ainda está longe de ter terminado!

OctávioPontoAugusto
Abril 2019

1 comentário:

  1. Olá Octávio, não sabia que tinhas um blog. Gostei muito deste teu texto! A ver se vejo mais vezes o teu bog.

    Beijo, bom feriado e bom fim-de-semana!
    Joana Isabel Piorro

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